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[Resenha] À Procura de Audrey – Sophie Kinsella

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Não sei vocês, mas eu sou aquele tipo de pessoa que surta quando descobre que o autor favorito lançou um livro e sai correndo para a livraria mais próxima mesmo tendo uma pilha de obras para ler. Foi exatamente o que aconteceu quando eu soube que a Sophie Kinsella – a mesma que criou a nossa querida Becky Bloom – estava de livro novo por aqui. Ignorei completamente os mil exemplares que eu comprei recentemente e resolvi pegar o dela primeiro.

Depois de fazer sucesso com obras do gênero Chick Lit (os famosos livros de mulherzinha), Sophie resolveu inovar e se arriscar no gênero Young Adult (YA). Sabe aquelas histórias que agradam jovens adultos? Então, essa é a ideia de À Procura de Audrey. Mas, depois de devorar as páginas, posso dizer que qualquer pessoa pode ler. Eu sou um pouco mais velha do que a faixa etária do público-alvo, mas amei cada detalhe e senti que as características da autora estavam ali.

A minha relação com o livro, no entanto, começou de uma forma estranha. Tudo porque eu vi um snapchat da Just Lia falando que não tinha gostado muito. O motivo tem a ver com o enredo. Audrey, a personagem do título, tem 14 anos e foi vítima de bullying na escola, o que fez com que desenvolvesse a Síndrome do Pânico. O problema é que ela nunca revela o que de fato aconteceu e dá a entender que vai contar em vários momentos do livro, mas isso nunca acontece. De fato, fiquei muito curiosa para saber, mas isso não me impediu de ter gostado do livro.

“Acho que entendi que a vida é tipo uma escalada: você cai e se levanta de novo. Então não importa se der uma escorregada. Contanto que esteja mais ou menos caminhando para cima. Isso é tudo que se pode esperar. Seguir mais ou menos para cima.”

No início, senti que a Audrey era apenas a narradora e que a história estava mais focada na relação entre a mãe dela e o irmão mais velho, que é viciado em jogos de computador. Os personagens, aliás, são divertidíssimos. São tantos momentos engraçados que um dia quase virei a madrugada lendo e rindo ao mesmo tempo. Essa é a fórmula mágica da Sophie: descrever pessoas e situações de uma forma tão simples e cotidiana que a gente se sente próxima delas.

Na segunda metade, o problema de Audrey é levado mais a fundo e o livro passa a assumir um tom mais sério. Mesmo assim, não tem nada de drama e chororô. É tudo dito de forma prática. Eu me identifiquei muito com todo o processo de altos e baixos da personagem e posso afirmar que é o mesmo que acontece com qualquer pessoa que já tenha passado por sessões de terapia.

Comecei a ler a história achando que iria odiar, mas foi uma surpresa muito agradável. O texto é gostoso, o tema flui, o enredo prende o leitor, enfim… Tem todos aqueles truques que fazem com que seja muito bom. Não sei se a escritora pretende continuar no gênero YA, mas sua primeira experiência foi completamente válida.

Avaliação: ♥♥♥♥♥